A Síndrome da (Im)Perfeição.

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     Há um mês tomei a decisão de finalmente (depois de tantos anos apenas cogitando) criar um blog. Escrever com certeza é uma das coisas que mais concede-me prazer. Começa quase sempre com uma reflexão (sobre os mais diversos assuntos) que me conecta ao plano  intuicional e quando transformado em texto desperta pensamentos e sentimentos que inicialmente nem mesmo eu seria capaz de cogitar. É um processo de autoconhecimento contínuo: às vezes fluído, às vezes instável, às vezes leve, às vezes pesado, às vezes resolutivo, às vezes angustiante, mas sempre, invariavelmente, revelador!

     Pois bem, ocorre que a síndrome da (Im)Perfeição tem sido minha companheira desde a mais tenra idade. Eu não sei se você já teve o (Des)Prazer de experimentar, receio que sim, pois como diria o meu idolatrado, salve, salve Drummond: A ideia de perfeição constitui uma imperfeição humana.

     E essa ideia, no meu caso, funciona assim: começo algo, convencendo-me firmemente de que não vou criar expectativas, de que vou viver o momento presente (por sinal, único ao meu alcance) e de repente, não mais que de repente, lá estou eu fazendo mil questionamentos e formatando mil estorinhas em minha mente fértil. Durante a síndrome, minhas frases preferidas são: será que realmente ficou bom? Acho que esse não é o meu melhor! Afinal de contas, será que eu tenho mesmo habilidade para isso? E por aí vai…não precisamos de uma bola de cristal para saber onde tudo isso vai dar: drama, indecisão e a pior de todas sensações: paralisia!

    Quantas e quantas vezes, como consequência da síndrome da (Im)Perfeição, encontrei-me refletida naquele joguinho da estrela (que eu amava brincar quando mais nova): jogo da vida! Volte duas casas! Fique três rodadas sem jogar! Volte para o início do jogo…com o blog não foi diferente, comecei entusiasmada, amando perdidamente o primeiro texto, amando o segundo, encantada com o terceiro; no quarto, voltei duas casas depois de tanto questionar se realmente havia ficado bom; no quinto, achei que não teria inspiração suficientemente boa para continuar a escrever um texto por semana; no sexto (este), paralisei, me senti como se tivesse voltado para o início do jogo, só que dessa vez, sem o ânimo inicial, sem a certeza de que eu tenha habilidade, dom e talento para escrever.

     Nessas horas, nada melhor do que uma dose extra de inspiração: fui ler Drummond! Que disse-me: Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas. Dia (ou seria dica) de Sorte: lembra o quanto você ficou feliz com os primeiros textos? Não sofra pelas projeções irrealizadas, e se possível, nem as faça, apenas viva o momento presente!

     Colocando a síndrome em seu devido lugar, eis aqui o sexto texto! Uso novamente as palavras do meu amigo Drummond: Às vezes sou tentado a me admirar, e isto me causa a maior admiração. Moral do jogo: é bem possível que a síndrome da (Im)Perfeição viva a nossa espreita, mas também é possível guardar no fundo de nossos corações a capacidade de nos admirar com o que há de bom e belo no mundo.

     Meu objetivo no jogo da vida real é não mais permitir que a paralisia tome conta de mim, porque haverá sempre algo a se aprender durante o caminho. Já dizia Drummond: Bater à porta errada costuma resultar em descoberta.

     Quais são as infinitas descobertas advindas da nossa finita perfeição?

    Priscila Lima

 

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