“Feito é melhor que perfeito.”

Quantas vezes deixamos de fazer algo por não encontrarmos as condições perfeitas? Faço-me essa pergunta quase que diariamente desde o dia em que disse para um amigo: “feito é melhor que perfeito.”

“Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.” Meu amigo poderia ter me respondido assim, e muito embora eu não tenha recebido a resposta que merecia, instantaneamente pensei: já desisti de fazer tantas coisas importantes para mim por achar que não tinha condições suficientes para fazê-las.

Todos sabemos que a perfeição está no plano inatingível das ideias, isso é fato. Entretanto, muitos de nós, diante da inalcançável perfeição paralisamos ao nos deparar com as nossas limitações.

Não importa se essas limitações são internas (derivadas da nossa essência) ou externas ( derivadas do ambiente no qual estamos inseridos), a questão crucial é que se elas nos paralisam, ficamos privados de desenvolver o nosso potencial e como consequência duvidamos da nossa capacidade.

Dessa forma, entramos num círculo vicioso onde os obstáculos nos conduzem ao ponto inicial da não ação. Quebrar esse círculo pode ser tão difícil quanto permanecer nele, é aquela velha história de sairmos da nossa zona de conforto. Mas e se começarmos a apostar na ideia tangível de que o feito é melhor que o perfeito?

Priscila Lima

Tome o seu tempo.

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Todos os meus professores de inglês diziam: não tentem traduzir as expressões de forma literal, porque dessa forma elas mudam ou perdem o sentido. De aula em aula, lá estava eu, inconscientemente, tentando fazer traduções literais. Talvez esse fato curioso explique porque tenho tanta dificuldade de assimilar o idioma. Costumo brincar dizendo que amo tanto o Português que tento aportuguesar o Inglês. Brincadeiras à parte! Talvez línguas não sejam mesmo o meu forte ou será apenas que meu tempo para assimilação de outros idiomas é diferente do tempo exigido para a maioria das pessoas?

Em tempos de incertezas, sugiro: tome o seu tempo! Nós partilhamos um mundo igual sob perspectivas diferentes. Minha evolução pessoal é diferente da sua, assim como minhas crenças e meus valores também são. De nada adianta, tentar impor minhas ideias a você e vice-versa. Ideias merecem ser expostas, se deixam de exercer essa função passam a ser fundamentalismo. Presenciamos isso de forma avassaladora neste mês que agora chega ao fim. E o que podemos tirar de lição?

1) Respeite as ideias alheias! Você tem o direito de ter as próprias convicções, mas isso não te dá o direito de impô-las aos outros.

2) Não se sinta superior! As suas escolhas são só as suas escolhas, nada mais!

3) E não menos importante: tome o seu tempo! Aceite que você tem um tempo específico para todas as coisas, portanto evite comparações.

Dito isso, peço humildemente desculpas aos meus queridos professores de inglês que tanto explicaram sobre os desvios da tradução literal, mas creio que na expression em questão universalizamos o sentido: take your time.

Priscila Lima

O superpoder da junção!

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Que tal aproveitarmos o término e a lição diária que a copa do mundo 2018 nos proporcionou para refletirmos sobre a capacidade de possuirmos superpoderes mesmo não sendo super-heróis?

O superpoder está na junção! Corrobora o meu bom e amado português, ao determinar que o prefixo “super” só pede hífen quando a palavra seguinte começar com R ou H. Os super-heróis permanecem separados seja na grafia ou na (ir)realidade, tanto quanto os superpoderes permanecem juntos, seja na grafia ou na realidade. Mas afinal de contas, estamos falando de futebol ou de gramática? Estamos falando de junção:

“1. ato, processo ou efeito de juntar(-se).

2. reunião, união de seres ou coisas (concretas ou abstratas).

3. ponto em que duas ou mais coisas coincidem ou se juntam; confluência, convergência.”

Acabamos de assistir, arrisco dizer (já que pouco entendo de futebol), à copa mais justaposta de todas. Na qual a união dos jogadores elevou a capacidade técnica de cada partida, possibilitando que times, até então considerados menos favorecidos, demonstrassem os superpoderes por estarem unidos em detrimento dos times compostos por “super-heróis”. Nada melhor que falar de uma paixão nacional para demonstrar o tamanho da nossa capacidade.

“A união faz a força.” E nada melhor que um bom ditado popular para explicar o que deveria ser óbvio. Não é sobre o futebol, sobre as regras da gramática ou sobre super-heróis. É sobre a vida e a possibilidade de alcançarmos superpoderes ao unirmos um pouco a cada dia. Seja na união com outrem, seja na junção de pequenas atitudes, juntos, fazemos sim a diferença.

Deixemos que a nossa natureza gregária favoreça o interesse sincero pelo outro, ao desinteressadamente nos unirmos. Deixemos nossos hábitos protelatórios de lado nos predispondo a realizar pequenos gestos todos os dias. Não temos mais jogos diários da copa para continuar atestando o que foi dito, mas temos o hoje para juntar com o hoje de amanhã!

PS¹: por não acreditar em meras coincidências devo acrescentar que ao acessar a internet para publicar este texto deparei-me com a notícia de que eleito melhor jogador  jovem do mundial, Kylian Mbappé, doou toda quantia recebida para a instituição de caridade francesa Premiers de Cordée, que ministra aulas de esportes para crianças com deficiências. Fonte: https://esportes.yahoo.com/noticias/campe%C3%A3o-dentro-e-fora-campo-213836850.html

PS²: A junção do texto com a notícia dispensa maiores comentários!

Priscila Lima

Melhorar as nossas perguntas pode ser tão eficaz quanto encontrar as respostas.

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“Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?” Quantas perguntas já ecoaram dentro de você exatamente como se fosse uma música que não saí do pensamento? Quantas perguntas são capazes de tirar você do eixo, da zona de conforto ou do lugar-comum? Você tenta melhorar as suas perguntas, ao invés de só buscar as respostas?

Nós, os eternos inconformados, estamos sempre buscando respostas. É da nossa natureza. Focamos nas respostas, e nesse ínterim perdemos a amplitude das perguntas. Passei meses, atrás de encontrar uma resposta que estivesse a altura desta pergunta: “pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?”. Razão pela qual posterguei o texto o quanto pude. Até me dar conta de que se continuasse focando na resposta provavelmente não o escreveria. Eu não tenho uma resposta para essa pergunta, assim como não tenho respostas para tantas outras perguntas que me tiram do eixo.

Entretanto, são perguntas como essas, que por vezes, valem mais que uma resposta simples e acabada. Boas perguntas rendem valiosas reflexões e ainda que não nos ofereçam respostas, criam várias perspectivas, ampliando a nossa visão e em consequência a nossa capacidade de ver o todo.

Portanto, não se desespere quando as respostas que você acha que tanto precisa não chegarem ao tempo desejado, enquanto isso: melhore as suas perguntas! Deixe que elas ecoem e ressignifiquem as suas incertezas. E talvez assim, você descubra que uma boa pergunta vale mais que mil respostas…

Priscila Lima

 

 

Que tipo de música você dança?

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Que dança não provoca uma mudança? Dia desses, eu dancei; dancei por ter protelado sonhos; dancei por pensar demais, fazer de menos; dancei por não acreditar na minha capacidade; dancei por não escolher…fui escolhida! Quando abrimos mão da música que gostaríamos de dançar, somos escolhidos por uma dança que não nos apetece, não nos inebria e tão pouco aflora o que temos de melhor.

E dizem que dançar faz bem para o corpo e para a alma, mas não sejamos radicais, nem toda dança nos convém. Há danças que não nos possibilitam escolher os passos, há danças que não nos concedem leveza, e principalmente, há danças que não nos fazem mudar! Mas, de certo, mudanças conscientes sempre vêm acompanhadas de belíssimas danças, dessas que fazem muitíssimo bem para o corpo e para a alma.

Pois bem…dizia eu: um dia desses eu dancei, só não foi a dança decorrente da mudança. Dancei por não ter coragem de mudar. Repito: foi uma dança que não me apetecia, que me conduzia por caminhos que eu não queria trilhar, que mantinha meu foco no que havia de pior.

Já consumida, eu decidi que precisava mudar. Comecei escolhendo a música que me permitia dar os passos que eu queria. Senti-me cada vez mais leve, mais focada no que havia de melhor, mais concentrada no meu poder de escolha, na minha capacidade de mudar…

Foi então que a mudança, com seu jeito infinito de dançar, mostrou-me a finitude da dança que não decorre de uma mudança. Mude! Dance! Mas só dance a música que você gosta de dançar!

Priscila Lima

 

ANIMA.

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Anima, vem do latim e quer dizer: aquilo que concede ânimo. Se no decorrer de nossas vidas resolvêssemos elaborar uma lista daquilo que nos anima, como seria a sua? Amar, tocar, sentir, respirar, sorrir, ler e escrever, de certo, todas essas ações estariam contidas na minha lista. São meus recursos preferidos na manutenção do ânimo, não necessariamente nessa ordem.

Ocorre que existem fases em que não conseguimos utilizar a contento a nossa lista. Parece que alguns recursos não funcionam tão bem quanto gostaríamos. Por uma força misteriosa que foge ao nosso controle, os recursos desandam e como consequência nosso ânimo vai esvaindo, podendo chegar ao ponto da anestesia, quando já não se sente dor, mas também se perde a sensibilidade…

Para mim, que tenho a estranha e teimosa mania de seguir o coração, não existe nada mais cruel do que perder a sensibilidade, sentir-se indiferente. Há quem acredite que seguir o coração é o caminho mais fácil. Desconfio que, se assim fosse, teríamos um mundo mais ameno, com mais afeto e menos soberba.

Não! Seguir o coração definitivamente não é o caminho mais fácil. Não nos torna necessariamente mais felizes e satisfeitos, mas sem dúvida, nos torna mais humano. E ser mais humano é: estarmos conscientes de que vamos falhar reiteradas vezes, nós e os outros, os outros e nós, mas que isso não nos impede de querer melhorarmos como seres perfectíveis que somos.

Hoje, escrevo, talvez como último recurso, na busca do ânimo que reabastece o coração para seguir em frente.

Priscila Lima

 

Espelhos da Alma.

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Há dias, adiava este post…toda vez que tentava escrevê-lo tinha a sensação de que faltava algo. Como uma ideia fixa que brota e não amadurece. Ainda agora, não estou certa de tê-lo amadurecido o suficiente, mas ele se faz presente e assente em minha alma. Por falar em alma, você já parou para pensar como seria estar diante de um espelho que refletisse para além do seu corpo físico; um espelho da alma?

Parece algo muito profundo, não? Quase fictício, como se para tanto, precisássemos de um espelho mágico que nos concedesse as respostas para as perguntas mais clássicas da humanidade. Da profundidade à ficção, o fato é que de tanto nos concentrarmos nas próprias imagens, nos esquecemos de sermos espelhos.

Senão, explico: já conheceu alguém que sem precisar de muitos detalhes compreende e responde o seu mais profundo ser interior? Alguém que desvenda os seus mistérios mais recônditos na velocidade da luz? Alguém que reflete e atende os seus anseios de forma tão natural que até assusta? Pois bem, os espelhos da alma existem! E somos nós os refletores. Cientes ou não, temos uma capacidade inata e esplendorosa de sermos luzes.

Como diria Arnaldo Antunes: o seu olhar, seu olhar, melhora, melhora o meu. E quando o seu olhar melhora o meu…somos espelhos da alma!

Priscila Lima