O superpoder da junção!

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Que tal aproveitarmos o término e a lição diária que a copa do mundo 2018 nos proporcionou para refletirmos sobre a capacidade de possuirmos superpoderes mesmo não sendo super-heróis?

O superpoder está na junção! Corrobora o meu bom e amado português, ao determinar que o prefixo “super” só pede hífen quando a palavra seguinte começar com R ou H. Os super-heróis permanecem separados seja na grafia ou na (ir)realidade, tanto quanto os superpoderes permanecem juntos, seja na grafia ou na realidade. Mas afinal de contas, estamos falando de futebol ou de gramática? Estamos falando de junção:

“1. ato, processo ou efeito de juntar(-se).

2. reunião, união de seres ou coisas (concretas ou abstratas).

3. ponto em que duas ou mais coisas coincidem ou se juntam; confluência, convergência.”

Acabamos de assistir, arrisco dizer (já que pouco entendo de futebol), à copa mais justaposta de todas. Na qual a união dos jogadores elevou a capacidade técnica de cada partida, possibilitando que times, até então considerados menos favorecidos, demonstrassem os superpoderes por estarem unidos em detrimento dos times compostos por “super-heróis”. Nada melhor que falar de uma paixão nacional para demonstrar o tamanho da nossa capacidade.

“A união faz a força.” E nada melhor que um bom ditado popular para explicar o que deveria ser óbvio. Não é sobre o futebol, sobre as regras da gramática ou sobre super-heróis. É sobre a vida e a possibilidade de alcançarmos superpoderes ao unirmos um pouco a cada dia. Seja na união com outrem, seja na junção de pequenas atitudes, juntos, fazemos sim a diferença.

Deixemos que a nossa natureza gregária favoreça o interesse sincero pelo outro, ao desinteressadamente nos unirmos. Deixemos nossos hábitos protelatórios de lado nos predispondo a realizar pequenos gestos todos os dias. Não temos mais jogos diários da copa para continuar atestando o que foi dito, mas temos o hoje para juntar com o hoje de amanhã!

PS¹: por não acreditar em meras coincidências devo acrescentar que ao acessar a internet para publicar este texto deparei-me com a notícia de que eleito melhor jogador  jovem do mundial, Kylian Mbappé, doou toda quantia recebida para a instituição de caridade francesa Premiers de Cordée, que ministra aulas de esportes para crianças com deficiências. Fonte: https://esportes.yahoo.com/noticias/campe%C3%A3o-dentro-e-fora-campo-213836850.html

PS²: A junção do texto com a notícia dispensa maiores comentários!

Priscila Lima

Ora!

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Ora é sinônimo de agora. E agora é sempre a hora. A hora para estarmos no aqui e no agora. Parece muito lógico, mas é sutil a capacidade que nós temos de nos desconectarmos do agora, a linha tênue que existe entre o ir e o ficar, entre o permanecer e o não estar.

Tempos atrás, recebi uma imagem pelo whatsapp, na qual constavam quatro frases:

Me perdoe.
Sinto muito.
Sou grato.
Eu te amo.

Naquele exato momento eu desconhecia a história contida na reunião dessas frases, mas pensei no quanto elas dizem sem muito dizer e no quanto nós somos capazes de esquecer o poder de conexão que elas carregam em si. Intuitivamente, pensei em colocar a referida imagem como tela de bloqueio do meu celular. Afinal de contas, seria bom recordá-las a cada vez que entrasse em contato com o conector mais desconexo de todos os tempos: o celular.

Assim o fiz! Obviamente, todos que por coincidência ou não, olham a tela do meu celular ficam curiosos com a imagem. Há os que perguntam o que significa e há os que me dizem: ho’oponopono. Confesso que a primeira vez que ouvi essa palavra, olhei sem entender para a pessoa que gentilmente explicou-me que essas frases reunidas fazem parte de uma oração havaiana denominada ho’oponopono. Fui ainda esclarecida de que no meu celular as frases estavam dispostas de modo inverso, haja vista ser esta a ordem original:

Sinto muito.
Me perdoe.
Eu te amo.
Sou grato.

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Fui pesquisar: em havaiano, a palavra “ho’o” significa causa e “ponopono” significa perfeição. Na tradução não tão literal: corrigir um erro, tornar certo. O termo ficou conhecido após a experiência vivenciada por um professor e terapeuta ao tratar criminosos que sofriam de doenças mentais no Havaí. Com resultados surpreendentes, a técnica passou a ser utilizada na busca do equilíbrio de emoções.

Na ordem original ou não, o fato é que essas palavras detém alto poder de conexão, já que nos posiciona no campo do altruísmo, do perdão, do amor e da gratidão. Ora, elas nos posicionam no agora. E o agora é sempre a hora de estabelecermos a melhor conexão. Ora!

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Ho’oponopono

Priscila Lima

Entre o que veio e o que está por vir.

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Nós somos a soma do que veio e do que está por vir. Somos o conjunto das experiências saboreadas ou sobrevividas. Somos o ontem, o hoje e o amanhã, mas acima de tudo somos o que podemos ser! Nós, seres potenciais, que estamos aqui para cumprirmos a própria jornada, temos a cada dia uma nova oportunidade de fazer a diferença…pequenas diferenças que somadas a todas outras pequenas diferenças têm o condão de promover e preservar a vida.

Ah, a vida! Como vai a sua? A minha está prestes a fazer aniversário, daqui a poucos dias iniciarei a minha trigésima segunda volta ao redor do sol. “A palavra aniversário tem sua origem na antiga Roma, vem de ANNIVERSARIA DIES, que significava dias que mereciam atenção especial.”

Creio que todos os dias de nossas vidas merecem atenção especial, mas, de fato, o dia do nosso aniversário carrega em si a capacidade de nos fazer voltar para dentro de nós mesmos (ao menos é o que acontece comigo). A minha data, o meu dia todo especial, é sempre uma nova oportunidade de me reinventar e tentar fazer melhor. É tempo de renovar os votos. Os votos de gratidão por tudo que veio, os votos de esperança pelo que está por vir, os votos de amor a vida!

Ah, a vida! Você tem aprendido com a sua? A minha tem oportunizado muitos aprendizados, a cada novo desafio, uma lição. Saber viver é tirar proveito de todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Ninguém nasce pronto, estamos em constante evolução. Estarmos cientes disso é o eterno ponto de partida para nunca desistirmos de ser.

Entre o que veio e o que está por vir existe um ser, sempre disponível para ser tudo aquilo que pode ser…sejamos!

Priscila Lima

Quantos passos reproduziram os seus passos?

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Foto: @danicslopes

Sabe aqueles dias em que você acorda com medo de colocar os pés no chão? Aqueles dias em que a melhor opção é andar na ponta dos pés? A melhor opção para não pisar nos seus sentimentos, a melhor opção para não despertar as suas dores, a melhor opção para preservar o seu telhado de vidro…há dias em que as chances de ele partir-se ao meio são bem maiores. Há dias em que a melhor opção é fazer papel de espectador…

Espectar a sua jornada, espectar os passos que você teve de percorrer para chegar ao ponto no qual se encontra. Ninguém mais reproduziu todos os seus passos, ninguém, além de você, conhece esse caminho tão bem…os apertos, os tropeços, os calos, os arranhões. Embora muitos dos seus passos tenham sido acompanhados; todo o seu caminho, ninguém mais percorreu por inteiro.

Talvez sejam os nossos passos que revelam com riqueza de detalhes nossa unicidade, talvez sejam eles que nos moldam, que nos ensinam, e sem dúvida, são eles que nos movem. Mas e o tal medo que nos sobressalta ao abrir dos olhos? Esse irá surgir inúmeras vezes durante o percurso. Haverá dias em que iremos passar por cima dele, mas também haverá dias que iremos parar para espectar. Espectar sem criar expectativas, espectar para recobrar o equilíbrio, espectar para pedir permissão, porque a vida também tem trilha sonora e “é caminhando que se faz o caminho”.

Priscila Lima

 

 

Corda Bamba

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Vivemos mesmo numa eterna corda bamba, a cada novo passo, ressalta-se a necessidade de mantermos o equilíbrio. Equilibrar a nossa dualidade, equalizar os nossos sentimentos, equacionar os nossos dilemas…exercícios para toda uma vida! É certo que, cedo ou tarde, vamos cair. Alguns desequilíbrios exigirão mais que outros; algumas quedas machucarão mais; alguns desvios nos farão voltar à estaca zero. É inevitável: é a vida, a corda é bamba!

Bamba designa, dentre outras coisas, aquele que é valente, ou seja, muito antes do equilíbrio, a vida nos exige coragem! Coragem para dar o próximo passo, coragem para levantar, coragem para recomeçar e nada mais justo: coragem para errar! Afinal, dentre as outras designações, bamba também pode significar aquele que é entendido em algum assunto.

Há alguma possibilidade de nos tornarmos entendedores da vida, ou de um assunto que seja, sem nunca termos errado? A resposta é pessoal e reflexiva, guarde-a para você e com base nela prossiga, levante, recomece!

É sempre tempo de recomeçar, mas parece-me ainda mais propício recomeçar pelo começo e é onde estamos neste exato momento em que iniciamos mais um ano. Parece clichê, e não só parece, é (particularmente, sou completamente a favor de certos clichês)!

Sendo assim, erga a cabeça, dê um passo de cada vez, sorria, busque o equilíbrio, viva!

Priscila Lima

Invista nas crianças!

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Queres encontrar respostas para os teus maiores enigmas? Investe mais tempo, do teu tempo, ao lado de uma criança! Investir vem do Latim investire no sentido de “cobrir, rodear”. Quando estiveres ao lado de uma criança, cobre-te com a pureza e inocência delas, em seguida rodeia-te do agora. Quantas vezes fizeste isso? 

Tempos atrás recebi o convite de uma criança para montarmos seu quebra-cabeça, aceitei de primeira, mas confesso que levei um certo tempo para investir completamente. Nós, “os adultos”, temos bastante dificuldade para sermos puros e inocentes, talvez porque desde muito cedo aprendemos a julgar e a tirar conclusões baseadas nas experiências que tivemos no cursar de nossas vidas. Temos ainda mais dificuldade de nos rodear do agora, estamos sempre cheios de compromissos, carregados do ontem, angustiados por causa do amanhã. E o agora?

Na noite do convite, no momento em que eu realmente estava investida daquela criança, percebi que a vida é como um quebra-cabeça. Todas as peças, das principais às secundárias, estão sutilmente interligadas, se faltar uma única peça que seja, o quebra-cabeça ficará incompleto. Isso nos leva a concluir que: todas as pessoas, que passaram e passam por nossas vidas, nos trazendo experiências boas ou ruins, são necessárias para nossa evolução.

Enquanto montávamos o quebra-cabeça, eu também percebi que por diversas e diversas vezes, tentávamos colocar uma peça que parecia encaixar perfeitamente na outra, para depois descobrirmos que não era ali o seu encaixe perfeito. Isso nos ensina que: é natural tentarmos encaixar algo ou alguém no lugar errado até encontramos o seu verdadeiro encaixe.

Após montarmos mais da metade, descobrimos que estavam faltando algumas peças, procuramos entre as peças dos outros quebra-cabeças (deem quebra-cabeças de presente para as crianças!), encontramos algumas, mas não todas. Isso nos mostra que: as coisas e as pessoas que chegam às nossas vidas, aparecem no momento em que devem aparecer e não exatamente quando nós queremos.

Mas a parte difícil daquela noite foi ter que ir embora e deixar aquela criança, aquele momento…a verdade é que nós sempre queremos eternizar esses momentos de entrega, comunhão e felicidade plena. E isso nos comprova que: a vida, repleta de momentos, apesar de efêmera, vem acompanhada do livre-arbítrio, que nos concede a oportunidade de fazermos o melhor investimento. Invista nas crianças!

Atenção: texto altamente carregado de amplas interpretações! MeDita!

Priscila Lima

A inversão da mala.

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Viajar é sempre uma experiência única, que pode ser transformadora, desde que estejamos abertos a priorizar a alma ao invés da mala. Particularmente, sempre tive muitos problemas com malas, haja vista que no ímpeto de nada esquecer, acabava sempre carregando muito mais que o necessário. Fato que, em última análise, dificultava alguns trajetos, despendia tempo e gerava preocupações desnecessárias.

Toda viagem, curta ou longa, rápida ou demorada, carrega em si inúmeras lições de vida, cabe a nós estarmos atentos e preparados para aprendermos cada lição. A primeira lição começa pela mala. Nós definitivamente não precisamos carregar tanta bagagem, tantos pertences, tantos perrengues, nem na mala, muito menos na alma.

Minha última viagem, em última instância, pode ser intitulada como: menos é mais! Menos bagagem, mais tempo! Menos peso, mais leveza! Menos mala, mais alma! Ah, a mala…quando invertida revela a alma!

Priscila Lima