DESAS/SOSSEGADA/MENTE

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Eu não sei você, mas eu sempre acreditei que não somos nós que escolhemos os livros, são os livros que nos escolhem. E dizem que aquilo que você acredita torna-se realidade, cientificamente comprovado ou não, estou aqui, desassossegadamente ávida por escrever sobre um livro que eu sequer terminei de ler. Mas que, entretanto, me escolheu.

Talvez não seja exatamente sobre o livro em si, já que meia leitura não me torna apta a emitir uma reflexão baseada no todo. Talvez seja sobre o meu, o seu e o nosso desassossego, expressado na escrita magnífica de Pessoa sendo tão pessoa quanto eu. Quanto você. Quanto nós.

…no desalinho triste das minhas emoções confusas…”

Escreveu Fernando Pessoa, por meio de Bernardo Soares (semi-heterônimo do criador) nos fragmentos contidos no Livro do Desassossego. Pois bem, ainda que eu siga o avançar das páginas desse livro, a frase acima descrita acompanha-me a cada momento. Curioso ou não, é o meu momento.

Ao contrário dos muitos comentários que já ouvi sobre os meus textos expressarem todo meu alinhamento alegre de emoções seguras e precisas, eis-me aqui: “no desalinho triste das minhas emoções confusas”. Ora, sejamos honestos, quem está sempre alinhado, alegre, seguro e preciso com suas próprias emoções? Desconfio que poucos ou talvez ninguém. O sempre demanda muita coisa, muito tempo…

E vamos combinar, o que seria de nós se estivéssemos constantemente alinhados, felizes e seguros com as nossas emoções? Seres perfeitos e eternamente satisfeitos dentro das suas próprias perspectivas? Prontos e literalmente acabados?

Daqui, do alto do meu mais profundo desassossego, confesso:

Ler, refletir e escrever são as melhores formas que particularmente encontrei de voltar à minha linha mestra, ao meu eixo;

Estar alegre é o melhor jeito que eu descobri de aplicar a célebre frase: “se a vida te der um limão, faça uma limonada.”;

– Incentivar as emoções seguras é a melhor lição que eu ofereço a mim enquanto falo com você sobre nós;

É verdade…estou constante e eminentemente sujeita a andar fora da linha; tenho a intensa e a profunda capacidade de ficar triste tanto quanto de ficar alegre; o medo e a insegurança me rodeiam a todo instante, inclusive agora enquanto escrevo este texto, e tudo bem…

Não julgue um livro pela capa.” Não julgue uma pessoa pelo discurso. Não julgue…e se você conseguir me ensine. É assim que somos: perfeitamente imperfeitos, equilibradamente desequilibrados, sossegadamente desassosegados. E não por acaso, em todas as palavras antônimas estão contidas as suas raízes. Todo lado tem seu avesso, funciona assim para todo mundo…

PS: o desassossego não me permitiu esperar a data programada para postagem deste texto, que deveria ocorrer apenas dia 28, para comemorar, não por acaso (acredito que não existe), o meu vigésimo oitavo post.

PS²: Apreciem DesasSossegadaMente!

Priscila Lima

Aproxima-te de ti tanto quanto possível.

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Viver é um risco! Não garantia ou seguro capaz de evitar o abismo que existe entre nós. Estamos sempre beirando o precipício. Entre o que eu penso e o que eu digo, entre o que eu disse e o que eu queria dizer, entre o que eu disse e o que ouviram, entre o que se queria ouvir e o que se entendeu, entre tantos entre…entre nós!

Entre nós existem abismos. Não podemos evitá-los, mas podemos aproximá-los. Do alto das minhas experiências errantes, tenho chegado à conclusão de que a maneira mais eficaz, eficiente e efetiva de aproximação é feita por si mesmo. Quanto mais próximo estiver de mim, mais próximo estarei de ti.

Parece tarefa fácil, já que passamos todos os dias, horas, minutos e segundos de nossas vidas, juntos de nós mesmos. Contudo, estarmos juntos não se traduz em estarmos próximos. E talvez por sermos habitantes vitalícios de nós mesmos, relegamos a importante tarefa de nos mantermos próximos de si. Assim, na mesma proporção em que nos afastamos de nós, nos afastamos do outro.

O texto de hoje é provavelmente apenas mais uma dentre as minhas inúmeras tentativas de manter-me próxima a mim, e por extensão é um convite: aproxima-te de ti tanto quanto possível!

Priscila Lima

Pela lente de quem?

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Somos tão iguais e tão essencialmente diferentes que poderíamos vir com um manual de instruções a fim de nos tornarmos mais compreensíveis, aos outros, mas principalmente a nós mesmos. Quando eu, você e nós nascemos estávamos todos ávidos por reencontrar aquele lugar aconchegante de onde saímos, aquele no qual nossa guardiã maior (mãe) detinha um precioso manual de instruções que por indução atendia a todas as nossas necessidades.

Pois bem, no auge dos meus trinta e dois anos, desconfio que no fundo estamos sempre ávidos por reencontrar esse lugar, que sabia exatamente como funcionávamos e que, portanto, agia de acordo com as instruções. E logo voltávamos ao êxtase de sermos completamente compreendidos.

Mas acontece que quando deixamos de ser vistos apenas pela lente da mamãe a coisa muda de figura: o manual da mamãe não nos protege mais de todas as circunstâncias externas e muito menos de nossa própria lente. “Nem todo mundo vê o mundo como você vê.” Verdade! Embora mamãe, papai, vovó, vovô, titia, titio e todos os outros que nos amaram por primeiro tenham nos emprestado as próprias lentes para conseguirmos enxergarmos com mais clareza, a verdade nua e crua, é que todos nós acabamos por adquirir a nossa.

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Diga-se de passagem, a lente intrauterina da mamãe é a única que detém um manual de instruções de antemão. A que eu, você e nós criamos para nós mesmos, vai precisar de muita dedicação para chegar aos pés da infinitude de soluções contidas única e exclusivamente naquela que sente tudo de dentro para fora e nunca de fora para dentro. Tudo isso nos leva a concluir que: não chegamos até aqui para termos todas as nossas necessidades atendidas, mas que temos potencialidade para tornamos nossas lentes mais claras, intuitivas e respeitosas para com os outros, mas principalmente para nós mesmos.

PS: texto intuitivamente dedicado a todas as mamães incríveis que eu conheço, em especial para minha!

PS²: homenagem a querida amiga-irmã e mais nova mamãe que vive a emprestar eficientes e poderosos limpadores de lentes. #vemtitia #itsagirl

Priscila Lima

Melhorar as nossas perguntas pode ser tão eficaz quanto encontrar as respostas.

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“Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?” Quantas perguntas já ecoaram dentro de você exatamente como se fosse uma música que não saí do pensamento? Quantas perguntas são capazes de tirar você do eixo, da zona de conforto ou do lugar-comum? Você tenta melhorar as suas perguntas, ao invés de só buscar as respostas?

Nós, os eternos inconformados, estamos sempre buscando respostas. É da nossa natureza. Focamos nas respostas, e nesse ínterim perdemos a amplitude das perguntas. Passei meses, atrás de encontrar uma resposta que estivesse a altura desta pergunta: “pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?”. Razão pela qual posterguei o texto o quanto pude. Até me dar conta de que se continuasse focando na resposta provavelmente não o escreveria. Eu não tenho uma resposta para essa pergunta, assim como não tenho respostas para tantas outras perguntas que me tiram do eixo.

Entretanto, são perguntas como essas, que por vezes, valem mais que uma resposta simples e acabada. Boas perguntas rendem valiosas reflexões e ainda que não nos ofereçam respostas, criam várias perspectivas, ampliando a nossa visão e em consequência a nossa capacidade de ver o todo.

Portanto, não se desespere quando as respostas que você acha que tanto precisa não chegarem ao tempo desejado, enquanto isso: melhore as suas perguntas! Deixe que elas ecoem e ressignifiquem as suas incertezas. E talvez assim, você descubra que uma boa pergunta vale mais que mil respostas…

Priscila Lima

 

 

Entre o que veio e o que está por vir.

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Nós somos a soma do que veio e do que está por vir. Somos o conjunto das experiências saboreadas ou sobrevividas. Somos o ontem, o hoje e o amanhã, mas acima de tudo somos o que podemos ser! Nós, seres potenciais, que estamos aqui para cumprirmos a própria jornada, temos a cada dia uma nova oportunidade de fazer a diferença…pequenas diferenças que somadas a todas outras pequenas diferenças têm o condão de promover e preservar a vida.

Ah, a vida! Como vai a sua? A minha está prestes a fazer aniversário, daqui a poucos dias iniciarei a minha trigésima segunda volta ao redor do sol. “A palavra aniversário tem sua origem na antiga Roma, vem de ANNIVERSARIA DIES, que significava dias que mereciam atenção especial.”

Creio que todos os dias de nossas vidas merecem atenção especial, mas, de fato, o dia do nosso aniversário carrega em si a capacidade de nos fazer voltar para dentro de nós mesmos (ao menos é o que acontece comigo). A minha data, o meu dia todo especial, é sempre uma nova oportunidade de me reinventar e tentar fazer melhor. É tempo de renovar os votos. Os votos de gratidão por tudo que veio, os votos de esperança pelo que está por vir, os votos de amor a vida!

Ah, a vida! Você tem aprendido com a sua? A minha tem oportunizado muitos aprendizados, a cada novo desafio, uma lição. Saber viver é tirar proveito de todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Ninguém nasce pronto, estamos em constante evolução. Estarmos cientes disso é o eterno ponto de partida para nunca desistirmos de ser.

Entre o que veio e o que está por vir existe um ser, sempre disponível para ser tudo aquilo que pode ser…sejamos!

Priscila Lima

Que tipo de música você dança?

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Que dança não provoca uma mudança? Dia desses, eu dancei; dancei por ter protelado sonhos; dancei por pensar demais, fazer de menos; dancei por não acreditar na minha capacidade; dancei por não escolher…fui escolhida! Quando abrimos mão da música que gostaríamos de dançar, somos escolhidos por uma dança que não nos apetece, não nos inebria e tão pouco aflora o que temos de melhor.

E dizem que dançar faz bem para o corpo e para a alma, mas não sejamos radicais, nem toda dança nos convém. Há danças que não nos possibilitam escolher os passos, há danças que não nos concedem leveza, e principalmente, há danças que não nos fazem mudar! Mas, de certo, mudanças conscientes sempre vêm acompanhadas de belíssimas danças, dessas que fazem muitíssimo bem para o corpo e para a alma.

Pois bem…dizia eu: um dia desses eu dancei, só não foi a dança decorrente da mudança. Dancei por não ter coragem de mudar. Repito: foi uma dança que não me apetecia, que me conduzia por caminhos que eu não queria trilhar, que mantinha meu foco no que havia de pior.

Já consumida, eu decidi que precisava mudar. Comecei escolhendo a música que me permitia dar os passos que eu queria. Senti-me cada vez mais leve, mais focada no que havia de melhor, mais concentrada no meu poder de escolha, na minha capacidade de mudar…

Foi então que a mudança, com seu jeito infinito de dançar, mostrou-me a finitude da dança que não decorre de uma mudança. Mude! Dance! Mas só dance a música que você gosta de dançar!

Priscila Lima

 

ANIMA.

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Anima, vem do latim e quer dizer: aquilo que concede ânimo. Se no decorrer de nossas vidas resolvêssemos elaborar uma lista daquilo que nos anima, como seria a sua? Amar, tocar, sentir, respirar, sorrir, ler e escrever, de certo, todas essas ações estariam contidas na minha lista. São meus recursos preferidos na manutenção do ânimo, não necessariamente nessa ordem.

Ocorre que existem fases em que não conseguimos utilizar a contento a nossa lista. Parece que alguns recursos não funcionam tão bem quanto gostaríamos. Por uma força misteriosa que foge ao nosso controle, os recursos desandam e como consequência nosso ânimo vai esvaindo, podendo chegar ao ponto da anestesia, quando já não se sente dor, mas também se perde a sensibilidade…

Para mim, que tenho a estranha e teimosa mania de seguir o coração, não existe nada mais cruel do que perder a sensibilidade, sentir-se indiferente. Há quem acredite que seguir o coração é o caminho mais fácil. Desconfio que, se assim fosse, teríamos um mundo mais ameno, com mais afeto e menos soberba.

Não! Seguir o coração definitivamente não é o caminho mais fácil. Não nos torna necessariamente mais felizes e satisfeitos, mas sem dúvida, nos torna mais humano. E ser mais humano é: estarmos conscientes de que vamos falhar reiteradas vezes, nós e os outros, os outros e nós, mas que isso não nos impede de querer melhorarmos como seres perfectíveis que somos.

Hoje, escrevo, talvez como último recurso, na busca do ânimo que reabastece o coração para seguir em frente.

Priscila Lima