Melhorar as nossas perguntas pode ser tão eficaz quanto encontrar as respostas.

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“Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?” Quantas perguntas já ecoaram dentro de você exatamente como se fosse uma música que não saí do pensamento? Quantas perguntas são capazes de tirar você do eixo, da zona de conforto ou do lugar-comum? Você tenta melhorar as suas perguntas, ao invés de só buscar as respostas?

Nós, os eternos inconformados, estamos sempre buscando respostas. É da nossa natureza. Focamos nas respostas, e nesse ínterim perdemos a amplitude das perguntas. Passei meses, atrás de encontrar uma resposta que estivesse a altura desta pergunta: “pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?”. Razão pela qual posterguei o texto o quanto pude. Até me dar conta de que se continuasse focando na resposta provavelmente não o escreveria. Eu não tenho uma resposta para essa pergunta, assim como não tenho respostas para tantas outras perguntas que me tiram do eixo.

Entretanto, são perguntas como essas, que por vezes, valem mais que uma resposta simples e acabada. Boas perguntas rendem valiosas reflexões e ainda que não nos ofereçam respostas, criam várias perspectivas, ampliando a nossa visão e em consequência a nossa capacidade de ver o todo.

Portanto, não se desespere quando as respostas que você acha que tanto precisa não chegarem ao tempo desejado, enquanto isso: melhore as suas perguntas! Deixe que elas ecoem e ressignifiquem as suas incertezas. E talvez assim, você descubra que uma boa pergunta vale mais que mil respostas…

Priscila Lima

 

 

Entre o que veio e o que está por vir.

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Nós somos a soma do que veio e do que está por vir. Somos o conjunto das experiências saboreadas ou sobrevividas. Somos o ontem, o hoje e o amanhã, mas acima de tudo somos o que podemos ser! Nós, seres potenciais, que estamos aqui para cumprirmos a própria jornada, temos a cada dia uma nova oportunidade de fazer a diferença…pequenas diferenças que somadas a todas outras pequenas diferenças têm o condão de promover e preservar a vida.

Ah, a vida! Como vai a sua? A minha está prestes a fazer aniversário, daqui a poucos dias iniciarei a minha trigésima segunda volta ao redor do sol. “A palavra aniversário tem sua origem na antiga Roma, vem de ANNIVERSARIA DIES, que significava dias que mereciam atenção especial.”

Creio que todos os dias de nossas vidas merecem atenção especial, mas, de fato, o dia do nosso aniversário carrega em si a capacidade de nos fazer voltar para dentro de nós mesmos (ao menos é o que acontece comigo). A minha data, o meu dia todo especial, é sempre uma nova oportunidade de me reinventar e tentar fazer melhor. É tempo de renovar os votos. Os votos de gratidão por tudo que veio, os votos de esperança pelo que está por vir, os votos de amor a vida!

Ah, a vida! Você tem aprendido com a sua? A minha tem oportunizado muitos aprendizados, a cada novo desafio, uma lição. Saber viver é tirar proveito de todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Ninguém nasce pronto, estamos em constante evolução. Estarmos cientes disso é o eterno ponto de partida para nunca desistirmos de ser.

Entre o que veio e o que está por vir existe um ser, sempre disponível para ser tudo aquilo que pode ser…sejamos!

Priscila Lima

Que tipo de música você dança?

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Que dança não provoca uma mudança? Dia desses, eu dancei; dancei por ter protelado sonhos; dancei por pensar demais, fazer de menos; dancei por não acreditar na minha capacidade; dancei por não escolher…fui escolhida! Quando abrimos mão da música que gostaríamos de dançar, somos escolhidos por uma dança que não nos apetece, não nos inebria e tão pouco aflora o que temos de melhor.

E dizem que dançar faz bem para o corpo e para a alma, mas não sejamos radicais, nem toda dança nos convém. Há danças que não nos possibilitam escolher os passos, há danças que não nos concedem leveza, e principalmente, há danças que não nos fazem mudar! Mas, de certo, mudanças conscientes sempre vêm acompanhadas de belíssimas danças, dessas que fazem muitíssimo bem para o corpo e para a alma.

Pois bem…dizia eu: um dia desses eu dancei, só não foi a dança decorrente da mudança. Dancei por não ter coragem de mudar. Repito: foi uma dança que não me apetecia, que me conduzia por caminhos que eu não queria trilhar, que mantinha meu foco no que havia de pior.

Já consumida, eu decidi que precisava mudar. Comecei escolhendo a música que me permitia dar os passos que eu queria. Senti-me cada vez mais leve, mais focada no que havia de melhor, mais concentrada no meu poder de escolha, na minha capacidade de mudar…

Foi então que a mudança, com seu jeito infinito de dançar, mostrou-me a finitude da dança que não decorre de uma mudança. Mude! Dance! Mas só dance a música que você gosta de dançar!

Priscila Lima

 

ANIMA.

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Anima, vem do latim e quer dizer: aquilo que concede ânimo. Se no decorrer de nossas vidas resolvêssemos elaborar uma lista daquilo que nos anima, como seria a sua? Amar, tocar, sentir, respirar, sorrir, ler e escrever, de certo, todas essas ações estariam contidas na minha lista. São meus recursos preferidos na manutenção do ânimo, não necessariamente nessa ordem.

Ocorre que existem fases em que não conseguimos utilizar a contento a nossa lista. Parece que alguns recursos não funcionam tão bem quanto gostaríamos. Por uma força misteriosa que foge ao nosso controle, os recursos desandam e como consequência nosso ânimo vai esvaindo, podendo chegar ao ponto da anestesia, quando já não se sente dor, mas também se perde a sensibilidade…

Para mim, que tenho a estranha e teimosa mania de seguir o coração, não existe nada mais cruel do que perder a sensibilidade, sentir-se indiferente. Há quem acredite que seguir o coração é o caminho mais fácil. Desconfio que, se assim fosse, teríamos um mundo mais ameno, com mais afeto e menos soberba.

Não! Seguir o coração definitivamente não é o caminho mais fácil. Não nos torna necessariamente mais felizes e satisfeitos, mas sem dúvida, nos torna mais humano. E ser mais humano é: estarmos conscientes de que vamos falhar reiteradas vezes, nós e os outros, os outros e nós, mas que isso não nos impede de querer melhorarmos como seres perfectíveis que somos.

Hoje, escrevo, talvez como último recurso, na busca do ânimo que reabastece o coração para seguir em frente.

Priscila Lima

 

Espelhos da Alma.

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Há dias, adiava este post…toda vez que tentava escrevê-lo tinha a sensação de que faltava algo. Como uma ideia fixa que brota e não amadurece. Ainda agora, não estou certa de tê-lo amadurecido o suficiente, mas ele se faz presente e assente em minha alma. Por falar em alma, você já parou para pensar como seria estar diante de um espelho que refletisse para além do seu corpo físico; um espelho da alma?

Parece algo muito profundo, não? Quase fictício, como se para tanto, precisássemos de um espelho mágico que nos concedesse as respostas para as perguntas mais clássicas da humanidade. Da profundidade à ficção, o fato é que de tanto nos concentrarmos nas próprias imagens, nos esquecemos de sermos espelhos.

Senão, explico: já conheceu alguém que sem precisar de muitos detalhes compreende e responde o seu mais profundo ser interior? Alguém que desvenda os seus mistérios mais recônditos na velocidade da luz? Alguém que reflete e atende os seus anseios de forma tão natural que até assusta? Pois bem, os espelhos da alma existem! E somos nós os refletores. Cientes ou não, temos uma capacidade inata e esplendorosa de sermos luzes.

Como diria Arnaldo Antunes: o seu olhar, seu olhar, melhora, melhora o meu. E quando o seu olhar melhora o meu…somos espelhos da alma!

Priscila Lima

Façamos diariamente o nosso melhor!

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Foto: @danicslopes

Minha programação para 2018 era: escrever um texto por semana e publicar no blog todos os domingos. Mas, nós que estamos no palco da vida, estreando a cada dia sem ensaio prévio, sabemos que grande parte dos acontecimentos diários foge minuciosamente do nosso controle. De fato, não é a primeira vez que eu deixo de publicar o texto da semana aos domingos e nesta havia decidido permanecer em off. Pensei: semana que vem eu publico.

Bem, eis que ao acordar (estrear) hoje, em plena quarta-feira de cinzas, deparo-me com um vídeo contendo uma cena do filme I Am Legend (Eu sou a Lenda), em que Will Smith conta a Alice Braga a seguinte história:

Não sei se todos sabem, mas Bob Marley acreditava que poderia curar racismo e ódio, literalmente curar, apenas injetando música e amor na vida das pessoas. Um dia ele ia dar um show num comício pela paz, pistoleiros foram até a casa dele e atiraram nele. Dois dias depois…ele subiu naquele palco e cantou! Alguém perguntou: – “Por quê?” E ele disse: “As pessoas que tentam tornar esse mundo pior não tiram um dia de folga. Como é que eu vou tirar?”

Imediatamente eu pensei: vou escrever e publicar o texto desta semana hoje mesmo! Não que eu tenha a pretensão de achar que meus textos irão mudar o mundo, longe de mim tamanha insensatez! Mas é que eu acredito de verdade que, se cada um de nós fizer o nosso melhor diariamente, podemos tornar não apenas a nossa realidade mais digna, mas, quem sabe, fazermos a diferença na vida de alguém, ainda que esse alguém seja nós mesmos.

Quando eu consigo escrever com o meu coração, sentimentos de amor, paz e alegria me contagiam e é com essa sensação de prazer indescritível que eu compartilho cada um dos textos, acreditando que “o amor é contagioso”. Vamos contagiar uns aos outros todos os dias fazendo o nosso melhor, pois o amor não tira folga, quem dirá férias de uma semana!

Priscila Lima

“Justo a mim coube ser eu!”

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Quem sou eu? Quem é você? Quem somos nós? A pergunta que nunca cala. Dita de tantas formas que até exala. De outro modo não poderia ser, temos essência, decência, valência…

Caetano Veloso diria que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Almir Sater diria que cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz. Engenheiros do Hawaii, diriam: somos quem podemos ser; sonhos que podemos ter.

Todos eles cantam e me encantam, mas hoje fico com a resposta de Mafalda a quem concedo breve apresentação: Mafalda é uma personagem de histórias em quadrinhos do cartunista argentino, Joaquín Salvador Lavado, popularmente conhecido como Quino. “As tiras de Mafalda apresentam uma visão límpida da sociedade argentina da época em que foram criadas, questionando o status quo por meio dos olhos de uma menina de 6 anos sem soberba, que adora os Beatles e odeia sopa, e é crítica ferrenha de valores quase patriarcais, colonialistas e antipovo da elite de seu país.”

Em resumo, Mafalda é uma criança, e como tal, preserva sua autenticidade com alegria, gentileza, ternura e apreço, tudo isso, sem deixar seus posicionamentos e inconformismos de lado. Mafalda, diria: justo a mim coube ser eu!

Parece óbvio, mas há quem acredite e faça de tudo para não ser quem se é. Há ainda, aqueles que querem que o outro seja diferente. Quanta inconsistência! E quão melhor seria a vida se passássemos a apreciar o que nos cabe. A mim, cabe ser eu! A você, cabe ser você! E a nós, cabe, no mínimo, respeitar o que se é: na primeira, na segunda e na terceira pessoa.

Cabe ainda ressaltar que “o humano é perfectível, nunca perfeito.” Portanto, é chegada a hora de compreendermos que estamos em constante estado de aperfeiçoamento, mesmo que nunca alcancemos a perfeição. Dito o que nos cabe, finalizo com Guimarães Rosa:

“O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.”

Priscila Lima